terça-feira, 22 de março de 2011

Mobilizadores/as participam em audiência pública sobre uso de agrotóxicos


Mobilizadores/as sociais da FETRAECE/PDHC participaram no dia 17 de Março da audiência pública realizada na câmara municipal de Quixadá. Atividade esta realizada pelos STTR’’s (Choro, Quixadá, Banabuiú, Quixeramobim), Regional da FETRAECE, ONGs (CETRA/SETAH), CPT-CE, Instituto Antonio Conselheiro e organizações sociais pertencentes ao Fórum microrregional pela vida no Semi Árido do Sertão Central para discutir a problemática do uso de agrotóxicos e a contaminação das águas- AGROTÓXICO NO SERTÃO CENTRAL E SEUS IMPACTOS PARA SAÚDE HUMANA E O MEIO AMBIENTE- ÁGUAS PARA VIDA, sendo esta uma ação da semana das águas 2011.
Os mobilizadores/as sociais foram convocados/as pelas entidades, intuições acima mencionadas para inserirem-se nesta ação desde processo de preparação da programação na obtenção de informações locais referente ao assunto até o processo de mobilização de agricultores/as para participarem da atividade. Os/as mesmos/as realizaram um diagnóstico com agricultores ainda usuários de agrotóxicos de comunidades/assentamentos acompanhados pelo PDHC, e em contraposição apresentarão uma síntese de agricultores/as já sensibilizados que trabalham com métodos alternativos/agroecológico.
A pesquisa foi orientada por perguntas descritas abaixo, e o instrumento para fundamentação da mesma foi o diálogo sem utilização de formulário para este fim. As perguntas foram feitas a agricultores/produtores que assumem usar em suas áreas de cultivo, e outros que não assumem o uso, em cada área o número de pessoas que se estabeleceu esta conversa variou de três á seis pessoas.
PERGUNTAS:
1.       Onde é obtido o agrotóxicos/veneno/herbicida?
2.       Quais são os agrotóxicos/veneno/herbicida mais utilizado?
3.       Qual a freqüência de aplicação?
4.       Quais equipamentos de proteção usados na aplicação?
5.       Qual o destino dado aos frascos de agrotóxico/veneno após utilização?
6.       Você faz leitura ou solicita á alguém que leia as informações do rotulo das embalagens?
RESPOSTAS:
1.       No comércio das cidades locais ou circunvizinhas (casas veterinárias, usinas que beneficiam algodão) ou através de vendedores dos próprios comércios ou vendedores particulares que procuram pessoalmente os agricultores/produtores em suas comunidades/assentamentos, e sempre usam uma fala convincente sobre o produto tais como: Será mais lucrativo financeiramente aplicar o agrotóxico do que pagar a mão de obra humana ou usar o cultivador (mas nunca repassa informações sobre os danos causados ao meio ambiente e a própria saúde humana, Mem muito menos ler as indicações do rótulo)! O seu tempo destinado aos cuidados com a lavoura será reduzido pela metade! As pragas e o mato não interromperão o crescimento da lavoura que produzirá melhor! E você não se arrependerá de fazer este investimento!
2.       O FOLHA LARGA/MATA TUDO (ambos usados contra o crescimento de plantas invasoras na lavoura, matar lagarta e outros insetos)- CARRAPATICIDA (aplicado nos bovinos contra mosca branca e carrapato, utilizado por alguns em hortaliças contra mosca branca)- GRANULADO (muito utilizado para formigueiros).
3.       È aplicado quando a lavoura já está em sua fase de desenvolvimento. Na primeira aplicação foi afirmado que muitas vezes se coloca acima do indicado de ml do agrotóxico ao misturá-lo com água ou para ficar mais forte misturam-se os dois agrotóxicos (FOLHA LARGA- MATA TUDO) posteriormente se aplica uma segunda vez, em muitos casos á área de aplicação pode está plantada ou não em alguns casos são próximas á margens de açudes, rios ou riachos.
4.       Alguns usam: as botas, blusas de mangas compridas, pano para cobrir a narina, calça comprida, boné ou chapéu. Outros aplicam sem usar: botas, blusas, máscara ou pano para cobrir a narina, calça comprida, óculos, luvas e á roupa que usa em uma aplicação são usadas no dia seguinte para o mesmo fim. Ainda usam máquinas com defeitos que derramam o liquido do veneno sobre o corpo.
5.       São deixados no próprio local da aplicação, queimados ou poucos são enterrados, em alguns casos reutilizam as embalagens para colocar outros tipos de venenos.
6.       Não.
Contrapondo a esta realidade descrita acima outros agricultores/as de algumas das mesmas áreas já sensibilizados/as através de capacitações/formações e experimentações incentivadas e desenvolvidas através de ações do PDHC e de outras entidades e instituições substituem os agrotóxicos/venenos por alternativas agroecológicas para cuidar da plantação, controlar ataques de insetos, preservarem o solo, a biodiversidade, a saúde humana e animal.
Utilizam defensivos naturais, caldas nutritivas, biofertilizante que são adquiridos aparte de elementos produzidos pela própria natureza sem custo financeiro adicional, reaproveitando toda matéria prima e orgânica. Um fator que os desfavorecem é que ainda são afetados/as pelas aplicações dos que irracionalmente usam agrotóxico.
Este conteúdo foi repassado para a Dra. Alice Pequeno- (Escola de Saúde Pública do Ceará), facilitadora da discussão que incluiu na sua apresentação os resultados obtidos pelo diagnóstico realizado. A mesma apresentou informações reais e diversas sobre os impactos irreversíveis e danosos causados a saúde humana e meio ambiente, pelo uso intensivo dos agrotóxicos onde o problema se agrava quando os venenos são utilizados em larga escala nas monoculturas do agronegócio, braço rural do capitalismo assassino de vidas.
Agricultores/as de comunidades/assentamentos acompanhados e não acompanhados pelo PDHC dos municípios que compõem o Fórum Microrregional Pela Vida no Semiárido- Sertão Central também foram mobilizados/as e se fizeram presentes durante toda discussão. Vale ressaltar que a audiência foi um espaço para debate, considerações, manifestação de grito contra o uso de agrotóxicos, provocando as autoridades municipais presentes a fortalecer as ações agroecológicas já desenvolvidas por agricultores/as familiar apoiados por entidades, instituições e projetos ao exemplo do PDHC.

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